domingo, 11 de janeiro de 2015

Passei um tempo procurando alguém que beirasse a perfeição. Uma pessoa leve, solta, responsável, carinhosa. Alguém que me fizesse sorrir, que ao me olhar rolaria aquela química louca de comédias românticas. Alguém que planejasse o futuro comigo, que quisesse compartilhar tudo, menos o sorvete nas tardes de domingo, porque o pote seria todo meu, é claro. E eu achei, e deixei o fogo queimar cada pedaço de mim, pra depois me tornar cinza e ver que tudo aquilo não tinha passado de ilusão. Dai, no meio da estrada, eu encontrei alguém vindo na contra mão, alguém que ia contra tudo que eu esperava. Gênio forte, marrento, ciumento. Meu oposto. Aparecido que só ele, meio moleque, de pavio curto. Alguém que me cumprimentava com um chutinho na panturrilha, que me empurrava pra longe, depois me puxava pra um abraço desajeitado. A pessoa que me chamava de gorda, chata e zoava a cor desbotada do meu cabelo, sem contar as vezes que riu da minha cara pelo par de chifres que levei no passado. E ai eu me apaixonei. Não por gostar de levar um chute na canela, ou ser chamada de gorda, mas por perceber que entre os 5 minutos sem os insultos ridículos, ele me olhava nos olhos, e dizia baixinho que amava meu olhar. Me apaixonei por todos os abraços desajeitados, e pelo papinho de "da um sorriso pra mim, seu sorriso é lindo". Me apaixonei pela espera, por todas as brigas, por toda a luta pra conseguir me conquistar. Me apaixonei pela crise de ciumes no meio da rua, pelas discussões sobre estar ou não namorando. 
Ele continua vindo na contra mão, e vez ou outra a gente bate de frente. Ainda sou a gordinha do cabelo desbotado. Mas agora sou a gordinha de cabelo desbotado dele. 



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