sexta-feira, 6 de junho de 2014

As pessoas nunca irão entender. Não importa se é melhor amigo, parente ou psicologo, eles nunca irão estar debaixo da minha pele para saber o que sinto ou quais os meus maiores medo. Nunca vão entender quando eu disser que com ele eu era alguém. E não adianta explicar um milhão de vezes em 30 idiomas diferentes que ele me nivelava, me dava um rumo e que sem ele estou caminhando sem destino. 
Ninguem vai entender as minhas lágrimas daqui um tempo. Aliás, já não entendem agora, dizem que já deu tempo de cicatrizar a ferida. E sinceramente? Eu nem tento explicar mais nada. Cansei das soluções inúteis de quem não entende a situação, de quem não está sentindo. Não os culpo pela tamanha tolice e também não tenho raiva. Eu só estou cansada de pedir um ombro amigo e ouvir sermão atrás de sermão sobre sair do fundo do poço. Até porquê, eu sai do fundo do poço mesmo com todas as dificuldades do mundo, o meu único problema agora é não ter rumo. Antes eu era querida por alguém, a minha presença fazia toda a diferença. Eu tinha um caminho trilhado, planos infalíveis. Seria mãe, esposa, amiga, ótima profissional. Antes eu tinha sonhos e hoje... Hoje eu não sou nada... Não me restou nada, a não ser um caminho de terra que me leva a lugar nenhum. Hoje eu passo o dia pensando em como o dia seguinte vai ser outro tormento. Abro os olhos sem querer levantar da cama por estar cansada de percorrer uma estrada para o nada. Hoje não tenho alguém para dizer o quanto me ama, ou me desejar um bom dia. Se eu estiver aqui ou em qualquer outro lugar do mundo ele não vai me ligar inúmeras vezes seguidas querendo saber onde estou e se estou bem. Hoje não tem ninguém morrendo de ciumes de mim por motivos bobos, não tem ninguém fazendo questão da minha presença, não tem ninguém que se complete comigo. Hoje não tem ninguém de mãos dadas comigo fazendo planos para o futuro enquanto vamos ao cinema assistir algum filme em cartaz. Hoje não tem ninguém que me mande flores sem ser em datas especiais. Não tem ninguém que escreva dedicatórias nas paginas dos meus livros. Não tem ninguém que me faça acreditar em sonhos. Ninguem que dê um rumo a minha estrada de terra para lugar nenhum. Isso me incomoda, isso me derruba, isso me entristece. É esse tipo de coisa que me faz ficar acordada todas as madrugas segurando o choro e sentindo a garganta arder. É esse tipo de coisa que não adianta explicar para as pessoas. E é esse tipo de coisa que guardo em uma caixa todo dia ao me levantar da cama e que passo o dia tentando fingir que não existe, pra não desabar em meio a multidão de corpos vazios que me rodeia e ser obrigada a explicar que eu não sou vazia como eles, que eu sou tão cheia que vivo transbordando pelos olhos.


- Karyne Santiago.


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