domingo, 6 de abril de 2014


Nunca fui a garota dos extremos. Quando criança eu não era a mais bagunceira, nem a mais quietinha. Nunca fui a pior aluna da classe, mas nem sempre cheguei aos pés de ser a mais inteligente. Não era a mais bonita, nem a mais estranha... Porém estranhamente nunca me encaixei em padrões. Nunca o mundo teve espaço pra minha normalidade fora do normal. Eu nunca fui das amigas a mais querida, a mais legal, a mais divertida. Eu era apenas eu, tímida, pacata, silenciosa. Os garotos da escola nunca correram atrás de mim. Aliás, nenhum garoto nunca correu atrás de mim, ninguém nunca correu atrás de mim. Sei lá, se tratando de pessoas, os meus relacionamentos sempre foram superficiais. Tanto paixões quanto amigos e até mesmo família. Não criei laços com muitas pessoas, tanto que olhando em minha volta hoje você pode contar nos dedos as pessoas que estão presas à mim, se é que assim posso dizer. Eu nunca tive um dom. Não nasci pra ser cantora, médica, artista, professora... E hoje me arrisco a dizer que nem mesmo escritora. 
Aprendi um dia que não devemos querer nos enquadrar nos padrões que o mundo nos impõe e apesar de não querer me encaixar em um determinado padrão, eu queria me encontrar. Eu gostaria de ter um lugar meu no mundo que fosse além das paredes brancas do meu quarto, eu gostaria de ir além, de ser suficientemente boa em algo, de ser boa pra alguém, gostaria de fazer a diferença. Um dos meus maiores problemas foi sempre ter tido o mesmo medo do Augustos, ser esquecida. Porque foi isso que me aconteceu a vida toda, as pessoas chegaram na minha vida e fizeram uma bagunça enorme pra depois me esquecer, ir embora me deixando para trás como qualquer coisa inútil que se esquece em uma mudança e que não faz falta alguma. E das primeiras vezes tentei me convencer de que a culpa era de quem havia partido, mas depois de tantas repetições me dei conta de que a culpa sempre foi minha. Eu não quis ficar por mim mesma, e as pessoas não têm obrigação de ficar por quem não quer ficar nem por si próprio. Se até eu mesma perdi as contas de quantas vezes quis fugir de mim mesma imagina os outros... 
Por isso digo, eu só queria me encontrar perdida por ai, me encontrar em mim mesma, em um dom, em alguém... Me encontrar no meio da confusão dos meus sonhos, pensamentos e medos. Me encontrar nas pessoas que partiram sem me dizer adeus, e nas que estão chegando. Quero me resgatar do poço em que eu mesma me joguei. Resgatar o brilho dos olhos, a esperança, o sorriso. Quero parar de fugir de mim. Quero voltar pra casa e explodir de inspiração para algo mirabolante, quero mudar a mim mesma e o mundo, quero ser lembrada, quero ser importante, quero ser o 'tudo' pra alguém pelo menos uma vez. Quero deitar pra descansar e realmente descansar, porque estou exausta de deitar a cabeça no travesseiro e perder as contas de quantas dores estou sentindo. Eu quero fechar os olhos e pensar em algo bom. Eu quero me encontrar... Eu preciso.


- Karyne Santiago.


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