quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O céu hoje não tem estrelas meu amor. E o cheio da chuva me faz lembrar você.
Encarando o horizonte na direção noroeste, sorri ao lembrar de você dizendo que gostava daquele clima frio e chuvoso que se passava logo ali na minha frente. Deixei uma lagrima escorrer solitária e morrer na ponta do meu queixo. Ela parecia ser a "trégua" de tudo que estava preso dentro de mim a dias. 
Se pensa que o choro começou calmo está enganado. Soluços e mais soluços quase me sufocaram entre o turbilhão de coisas que saiam de mim ao mesmo tempo. O bloqueio psicológico havia ido embora, e tudo que tinha sido preso em cativeiro estava fugindo. Me lembrei de como é doloroso chorar por lembrar de você. E quis voltar a guardar tudo aquilo pra mim. Tarde demais! 
A essa altura do campeonato eu já tinha gritado para os quatro cantos o quanto eu ainda sentia sua falta e estava me perguntando a que ponto a loucura chega. Sim, loucura. Porque amar o que não tem reciprocidade é pura loucura. É querer ser alvo para um atirador, é se lançar ao mar sem saber nadar. Amar sem ter respostas é a forma de suicídio mais torturante que existe. Mas entre tamanhas comparações essa loucura é doce. E acabo de concluir que entre todas as formas de amar, amar e não ser correspondido é a mais bonita e talvez a mais pura. Amar assim é como trabalhar sem receber um salario. Você faz aquilo porque que quer, é totalmente voluntario. Não precisa ter volta, só precisa existir a felicidade do 'outro', mesmo que essa não seja ao seu lado. 
E entre um soluço e outro, entre os pingos de chuva e o horizonte que só me lembrava da sua existência eu respirei aliviada. Os prisioneiros haviam ido embora. 
Sussurrei um "seja feliz" para o nada e sorri sem qualquer armadura de guerra. Senti uma brisa forte e poderosa passar pelo meu rosto e acariciar meu cabelo, me arrepiei e aquela foi a minha confirmação de que onde quer que você estivesse naquele momento, você estava feliz. 


- Karyne Santiago.

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