terça-feira, 25 de junho de 2013

Virei a noite acordada, não cheguei a ver o céu escuro, mas consegui ver o amanhecer. Sabe, o ultimo amanhecer que tinha visto foi no primeiro dia do ano. Estava no carro subindo a serra, voltando da praia. Os pés cheios de areia, o vestido da festa de ano novo incomodando, a pele grudenta por causa do calor e as costas doendo por estar a tantas horas sentada desconfortavelmente pelo simples fato de ter uma cabeça repousada sobre meu colo. Sim, alguém estava dormindo confortavelmente sobre minhas pernas enquanto pela janela do carro eu via o amanhecer mais lindo que já havia visto em toda minha vida. A temperatura estava agradável, a brisa batia no meu cabelo e o cheirinho da natureza me deixava tranquila. Tudo estava perfeito, tudo parecia um sonho. Ver o sol nascendo aquele dia foi simplesmente lindo. Então, quando vi o dia amanhecer naquela manha de 23 de junho, eu chorei. O céu estava clareando, mas não havia sol, não havia calor, tudo estava tão diferente daquele primeiro amanhecer do ano. Tudo estava tão cinza e frio. Tão vazio... Inclusive eu. Eu chorei. Chorei de saudade, de emoção, de tristeza... Chorei por não ter sol, chorei por estar cinza como o céu daquela manha, chorei por me sentir tão fria quanto aquele dia. Chorei por estar vazia. Simplesmente me sentei no chão da varanda e chorei olhando pra todas aquelas nuvens que impediam o sol de brilhar. Era como estar vendo a minha vida cheia de nuvens que me impedem de ficar bem sempre. Apenas chorei, como o céu estava chorando minutos antes do dia clarear. Chorei no silencio da calmaria daquele céu nublado. Chorei baixinho, para ninguém desconfiar que eu não estava tão bem quanto estava aparentando estar.

- O segundo amanhecer, Karyne Santiago.

 

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