sábado, 15 de junho de 2013

Olho em frente e vejo gente me aplaudindo, me elogiando pela brilhante atuação, jogando rosas vermelhas sobre o meu palco, sorrindo pra mim. O espetáculo chegou ao fim com muitos aplausos. Sim, o mesmo espetáculo que na primeira apresentação recebeu vaias, na ultima recebeu uma salva de palmas por minutos suficientes para deixar registrado na historia dos recordes. Pelo caminho que percorri até chegar nesse triunfante final recebi criticas. Muitas criticas por sinal. Teve gente que me apunhalou, me denegriu, fez criticas ruins o suficiente para me fazer recusar subir ao palco novamente. Mas enquanto eu estava no camarim, chorosa e amuada, críticos famosos foram me ajudar. Disseram que a peça era terrível, que a historia era ridícula, mas que tinha uma grande atriz pra fazer aquilo tudo ser melhor. Recebi dicas, conselhos, aulas e coloquei tudo em pratica nos meus ensaios solo. E finalmente chegou o dia da ultima apresentação e lá estava eu, com o holofote sobre mim. Olhares apreensivos e críticos vidrados a cada movimento meu, a cada fala, cada gesto. Sem mal saber que tudo estava minuciosamente calculado para ser perfeito. Tudo tinha uma exatidão tão perfeita que era quase imperceptível. Eu mudei o final da peça, eu surpreendi, eu triunfei. E fazendo a reverencia final, vi um dos críticos se levantar emburrado e se retirar do teatro, o mesmo fez um dos protagonistas. Vi-o soltar a cortina da coxia e correr para a saída da emergência irritado. Enquanto a porta da saída se fechava, eu o vi se encontrar com o critico. Se abraçaram em desespero, com as faces vermelhas pela raiva e ficaram ali, parados até a porta finalmente fechar. Com o nó na garganta fechei os olhos, ergui a cabeça após a reverencia e sorri. A primeira rosa caiu sobre o palco, seguida por muitas outras, na fileira da frente eu via os meus "professores" sorrindo com lágrimas nos olhos enquanto puxavam os aplausos. E abrindo os braços diante de todos eu senti o corpo leve, tão leve que eu poderia flutuar. Eu tinha feito o meu trabalho, eu tinha conseguido ao menos uma vez ser... PERFEITA.

- Grande final, Karyne Santiago.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. com professores tão bons se eu tirasse nota menor que essa poderia me matar ahsuahs

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