quinta-feira, 6 de junho de 2013

Esses dias minha médica perguntou qual era o nível da minha dor, respondi que era 5 e ela ficou surpresa, me elogiou e esboçou um sorriso reconfortante. Eu não menti, aquele dia o meu nível de dor era realmente 5, eu estava feliz, me sentindo bem e leve.
Ela não me perguntou se esse nível oscila, e eu acabei não dizendo também. Mas a verdade é que ele oscila o tempo todo, na segunda por exemplo meu nível era 7, na terça ele baixou para o 5, na quarta ele subiu pra 8, e hoje? Bom, hoje ele está no 10.
Eu tento bancar a forte, a intacta, a nova versão da Demi Lovato - Stay Strong. Tem hora que acredito nisso, dou risada, acho algumas situações toscas, penso, repenso, falo sozinha, entro num acordo comigo mesma e xingo quem está merecendo, mentalmente. Eu acredito na minha força, acredito no que sou e no que posso suportar. Sei que os meus limites se excedem além do que eu imagino, sei que aguento dor pior, sei que estou no 10 hoje, mas já suportei o "11". Mas tem dias, que me sinto fraca, perdida, confusa e insignificante. Tem dias que eu realmente preciso da minha médica ou dos meus amigos. Preciso rir e desabafar, preciso xingar e ouvir eles xingarem também. Preciso que alguém mais confie na minha força, porque tem dias que eu não confio. Hoje estou assim, perdida e confusa, chateada e me odiando. Estou dando o meu máximo pra estar de pé, e olha, me sinto guerreira por ainda estar. O ultimo ataque não foi muito fácil de lhe dar. Fiquei meio bamba, quase cai, mas estou de pé reunindo todas as minhas forças novamente. Não é fácil, nunca foi na verdade, mas ultimamente os ataques estão ficando piores. 
Não sou de aço! Não é todo dia que vou ser atacada e rir, as vezes vou querer me encolher num canto e ficar quieta, mesmo sem poder. Sim, eu não posso! Se eu encolher, se eu recuar, vão dar a guerra como vencida, e isso eu não posso deixar. Venci batalhas demais pra deixar eles ganharem a guerra. Então aqui estou eu, com um exercito de um soldado só, ferida, triste, perdida e confusa, mas de pé.
Pode ser difícil vencer essa, mas não é impossível. 
E quando tudo isso acabar, apresentarei as minhas cicatrizes como medalhas, e a minha dor talvez estabilize no 1. 

- Hoje estou no 10, Karyne Santiago.

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