sexta-feira, 3 de maio de 2013

O ponteiro do relógio se mexe, mostrando que já passou da 1h. Uma lagrima escorre tímida pelas curvas do lado direito do meu rosto, até chegar aos lábios mordidos e ressecados e morrer ali. Olho para a TV e bisbilhoto um pedacinho do meu filme preferido. Havia ligado o DVD pra assistir, mas os pensamentos tomaram conta da minha mente, e mesmo olhando pra tela, é como se nada estivesse passando. Outra lagrima rola, seguida por outra e mais outra. A ponta do nariz está levemente avermelhada, os olhos com o brilho negro das lágrimas e os lábios mais inchados e rosados que o comum. Minha cabeça gira fazendo meu estomago embrulhar. O choro silenciosamente vai aumentando de mãos dadas com a dor imensa no peito, meu estomago dói, como se estivesse me dizendo que nem ele próprio quer morar mais dentro de mim. Deito a cabeça na almofada, olho novamente para a TV mais só consigo ver uma tela branca e clara demais para os meus olhos. O coração bate tão fraco, que parece que vai parar a qualquer momento, é como se o meu corpo inteiro estivesse querendo se mudar para outro alguém, como se eu já não fosse boa para nenhuma parte dele, e a única coisa que me resta, que ainda quer ficar e que não me deixa são os pensamentos. Fecho os olhos, tentando impedir que mais lágrimas saltem para fora deles, mas não funciona. Passo a mão pelo rosto, secando-o brutalmente.  Eu não sei mais o motivo principal das minhas lagrimas. Penso em como fui dramática a vida inteira, talvez agora seja porque estou muito sozinha... Porém nos últimos dias eu não tenho ficado sozinha um só minuto. Talvez seja a maldita da TPM... Mas espera um pouco, já passou! Talvez seja o sono... Não! Pouco provável que seja... Então porque o motivo desse chororô todo? Afinal, era para o dia ser feliz não era? O plano era fazer dele perfeito e eu falhei. Ridículo falhar! Eu passei a vida inteira tentando dar o meu melhor, e eu sempre falho, sem exceções. Talvez... Se eu não tivesse nascido... Como seria a vida de todos? Vejamos... Minha mãe estaria casada, teria um casal de filhos depois dos 26 anos de idade, estaria morando perto da família e sendo feliz. Meu pai... Bem, se eu não tivesse aparecido na vida dele pouparia o sofrimento de muita gente. Meu namorado provavelmente comemoraria o aniversario com os amigos, e eu não estaria aqui pra brigar com ele por isso, e não teríamos uma crise, e não sofreríamos e quem está em volta também não. Nossa! Resumindo a vida de 3 pessoas sem a minha existência eu consigo fazer todo mundo feliz. Então espera ai... O que eu to fazendo aqui? O que diabos eu tinha que vir fazer nesse mundo de estranhos? Porque se todo mundo tem um proposito na vida o meu é “CAUSAR TURBULÊNCIAS  DORES E SOFRIMENTOS PARA OS QUE SE APROXIMAREM DE TI”, pelo menos, foi o que aconteceu em 18 anos. E é entre um pensamento e outro, uma bobagem e outra, a lembrança do que minha mãe me disse sobre uma médica, e a esperança de talvez ser melhor que mais uma lágrima escorre. O estomago já está de malas prontas, se mudando para outro lugar junto com o coração. A garganta de tanto prender o maldito do grito e do choro entalado está saindo de viagem, mas o único inquilino que permanece é o cérebro, matutando, pensando, traquinando sem parar para um descanso, sem me deixar descansar. Ele martela daqui e de lá, arranja mais um espacinho pra um pensamento ruim, destrói a casa das esperanças, em seguida a do otimismo só pra dar espaço para os bagunceiros de plantão, que alias, resolveram tirar a madrugada para dar uma festa daquelas. Outra lagrima escorre e vejo que elas estão tentando fugir da festinha do mal. Todos estão querendo partir, todos estão de malas prontas esperando o táxi para a rodoviária, até eu já preparei as minhas, pra pelo menos por uma noite, fugir dos inquilinos ruins. 

- Inquilinos, Karyne Santiago.

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