terça-feira, 28 de maio de 2013

Casa vazia, fria e abandonada, acordo ofegante por conta de mais um pesadelo. Esse parece ter sido pior, ou talvez tenha sido só a minha parte dramática falando mais alto. Levanto da cama no escuro, e com frio. Os dentes chegam a bater. Tomo um copo de leite morno ainda pensando naquele pesadelo, meu corpo estremece ao lembrar da fala de sempre. Nossa, me sinto horrível. Deixo o copo vazio sobre a pia milagrosamente sem louça e volto para a cama. Ligo o computador e começo o dia falando com um dos meus anjos. Sim, eu tenho anjos, acredite se quiser. Faço o que tenho pra fazer, respondo, fuço, posto, olho para o desenho na TV, é o meu preferido. O celular vibra do meu lado, olho pra tela e sorrio ao ver uma mensagem de bom dia de um dos meus anjos. Não respondo, estou sem créditos, mas queria ter respondido com a mesma animação. Escrevo na agenda algumas coisas dos últimos dias, menciono tal nome inúmeras vezes e uma lagrima escorre. Ufa... Finalmente hora de entrar em ação. Fecho o notebook, dou uma arrumada na cama e nos cadernos e canetas que estão espalhados. Dou um beijo na minha alegria e deixo ela deitada entre as cobertas enquanto vou para o banho quente. A água sai forte e quente do chuveiro e eu demoro no banho. Não sei quanto tempo, ainda estou pensando naquele pesadelo. Saio do banho com os dentes batendo, procuro uma roupa quente e confortável para sair. Me visto e passo a maquiagem leve de sempre. Seco o cabelo loiro e curto, agora um tanto mais claro que antes - droga, preciso retocar a tonalidade - penso enquanto passo a chapinha. Arrumo a bolsa, pego a jaqueta e desço. Coloco comida pra minha Nina, ela levanta preguiçosa e vai comer enquanto ainda está quentinho. Me olha com cara de dó, como se implorasse pra eu não deixa-la sozinha. Ultimamente ela tem sido a minha alegria, minha companheira de todos os dias. Brinco com ela enquanto o celular termina de carregar, coloco ela pra deitar novamente e tomo um copo de suco. Meu estomago não está bom, não quero comer, não aguento... Tomo o suco, pego um guarda-chuva na casa da minha avó e aviso minha anja que já estou saindo. Saio de casa sozinha, com meus pensamentos alvoroçados. Faço um caminho de boas recordações sozinha, e lembro da ultima vez que o fiz, em como fui feliz aquele dia e não sabia disso. Chego na casa da minha anja ofegante, cansada, dolorida, com frio e descabelada. Recebo um abraço aconchegante e mato a saudade que estava me matando. Minha anjinha não mudou nada, só está mais mocinha, mais linda. Deixo o guarda-chuva na garagem e vou ao encontro da minha anja protetora. Abraço ela segurando as lagrimas e com o coração apertadinho, apertadinho. Entro com receio de ver um certo alguém, me sento quieta, converso, olho pra TV e mecho os pés, inquietante. Pareço que sinto a presença de certo alguém, mas não falo nada. Vejo a pessoa passar, desvio o olhar e controlo o coração saltitante... Caramba, depois de tanto tempo ele ainda bate assim? Tiro uma foto com a minha lindinha, olho para a mesa de trabalho da minha protetora e a vontade de sorrir é grande. Eu estou ali, presente, bem ali. ESTAMOS ali. Suspiro baixinho, quase imperceptível, e meu coração sorri depois de dias em lagrimas. Estranho sorrir ao ver aquela foto, geralmente eu cairia num pranto de horas. A pessoa passa de novo e falto vomitar o meu coração. Já tinha me esquecido que podia bater assim. Respiro fundo, o tempo passa, converso, sorrio, fico quieta e a pessoa se aproxima. Envergonhado, um tanto triste. Sim, enxerguei a tristeza no olhar, quando nossos olhares se encontraram por quase 3 segundos. O sorriso apagado e tímido mostra a mudança. - Caramba, será que minha tristeza está perceptível assim? - penso comigo mesma - Claro que deve estar! Eu estou muito mais triste e abalada ao que tudo indica... Calma, respira fundo, conta até dez e não deixa a lagrima cair. VOCÊ É FORTE. - eu digo para o meu consciente enquanto as lagrimas insistem em brotar nos meus olhos como em um passe de magica. Me dou um tapa na cara mentalmente - CONTROLE-SE - grito para o meu coração após um doloroso tapa mental. As bochechas coram, e penso se mais alguém percebeu, acho que não. Já não o sinto mais presente, e respiro aliviada. Espero um tempo, olho para o lado de fora pra ver se a chuva passou, e percebo que teremos que sair na chuva mesmo. Eu acompanhada pelas minhas anjas, vamos para um ponto, depois para outro, pegamos o ônibus bem rápido e seguimos nosso rumo. Já na medica eu converso, falo aqui e ali, choro, desabafo e ela me faz entender coisas que nunca havia pensado. NOSSA! Me sinto aliviada. Respiro fundo e saio da sala, agora posso curtir o resto do dia com as minhas anjas. Andamos, rimos, e eu pareço mais leve... Estou mais leve! Voltamos para casa juntas, e elas fazem aquele caminho comigo. Recordo e comento algumas coisas, sorrio, de verdade, sem a mascara, sem o disfarce, sem a montagem e a estrutura dos sorrisos falsos dos últimos dias. Chego em casa leve e vejo que mais um dia se passou. Eu sobrevivi mais um dia, eu estou aqui por mais um dia, e mesmo que seja pouco apenas mais um dia, pra mim foi mais um dia de vitória entre o meu lado mau e bom. Eu sobrevivi mais um dia com a minha guerra interior de querer a morte e implorar pela vida. Ainda estou aqui! Ainda estou VIVA!

- Minha guerra interior, Karyne Santiago.

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