terça-feira, 9 de abril de 2013

Porque seria diferente?

Você passa uma vida inteira pensando que as pessoas te amam. Tem algumas decepções no percurso, algumas perdas, sofrimentos e deixa o tempo curar uma ferida que fica eternamente na base da "casquinha", onde qualquer outra coisa pode fazer voltar a sangrar. Dai você continua sobrevivendo, conhecendo pessoas novas, se entregando a elas, fazendo planos, tendo desavenças bobas e risos verdadeiros. Você se sente bem, seguro de si mesmo, e confia no amor daquelas novas pessoas a ponto de colocar a mão no fogo. Como melhor amigo que é, e com o caráter que sua mãe te deu você se entrega tanto a aquelas pessoas que por elas faria de tudo, tipo aquela história "se você matar alguém eu te ajudo a enterrar o corpo, e se algo der errado levo a culpa por você" e sendo assim, e acreditando da reciprocidade você acredita que aquela pessoa seria capaz do mesmo por você. Chega até cair na besteira de acreditar que aquela pessoa é capaz de te amar tanto quanto você a ama. Dai meu amigo, tenho que lhe informar que você acabou de se jogar de um precipício esperando que lá em baixo tenha uma cama elástica esperando por você. Na queda você sonha que tem asas, que esta voando lindamente como uma fênix, já que você renasceu das cinzas tantas vezes. Você voa, e voa, e acredita que pousará no mais fofo dos colchões e que aquela pessoa por quem você entregou sua vida vai estar sorridente te aplaudindo. E então você finalmente chega ao fim da queda livre, abre os olhos e se da conta que seu corpo inteiro está perfurado por estacas afiadas. Você está sangrando, está com dor, e sente uma enorme raiva de si mesmo por acreditar que daquela vez tudo seria diferente. Porque seria diferente? Das outras vezes, você pensou o mesmo e nunca deu certo, ninguém nunca te amou o quanto você esperava ser amado, ninguém nunca se arriscou a por a mão no fogo por você. Pensando na burrada as lágrimas chegam de mansinho, e você não sabe se o que dói mais é a dor das estacas ou a de odiar a si mesmo pela burrice. Você tenta se mexer, mas pensa que qualquer movimento causará uma hemorragia fatal. Então sem voz e sem forças você começa a pedir socorro esperando que as pessoas a quem você ajudou, aquelas que você deu ombro quando preciso, que ajudou a “enterrar o corpo” e que aceitou receber a culpa depois, apareça, afinal, foram tantos por quem você fez isso, quem sabe talvez alguém volte pra te ajudar agora. E então você espera um tempo, e mais um tempo, e percebe que ninguém virá. A ficha cai que você foi usado como um simples e inútil degrau, que só te usaram para o próprio bem e depois deixaram você se jogar do precipício pra se autodestruir. Você está tão ferido com esses pensamentos que começa a não se importar mais com as estacas, até porque, se você sobreviveu à queda, porque não pode se arriscar a sobreviver àquela hemorragia falta? Dai você se mexe lentamente, ainda fraco por falta de sangue, mas levanta, sai caminhando cambaleando removendo todas as farpas que restaram, e ainda com dor você se reconstrói, tenta mostrar que está bem, e mais uma vez o tempo se encarrega da cicatrização da "casquinha". Você sabe que jamais vai superar aquela dor, mas sabe também que é capaz de renascer das cinzas mais uma vez. Talvez dessa vez mais forte, sem deixar que as pessoas te abalem tanto, ou talvez errando mais uma vez e se jogando, até finalmente conseguir aprender que não podemos depender de ninguém, porque ninguém é tão confiável a ponto de você acreditar tanto num amor que não existe.

- Karyne Santiago.


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