terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

- Ficar forte! Ficar forte! Ficar forte! – repetia ela aos prantos no canto do quarto pequeno de parede vermelha, abraçada aos joelhos – Eu preciso ficar forte! 
Alguma coisa estava consumindo-a, correndo seu corpo internamente. Um tipo de doença... A doença da alma. Ela estava com raiva, queria descontar em alguém, mas só conseguia isso fazendo mal a si mesma. Mas dessa vez ela estava no controle dessa corrosão. O estilete estava jogado alguns centímetros a sua frente e ela segurava os pulsos com tal força que estava paralisando a circulação. Ela precisava descontar a raiva, o medo e a tristeza, mas ainda estava consciente para manter-se longe do maldito estilete. 
- Ficar forte! Ficar forte! – pronunciava sem pausa.
Os olhos castanhos estavam mais escuros que o normal, o olhar arregalado e as maçãs do rosto vermelhas recebendo as lágrimas quentes que escorriam até o lábio naturalmente cor de rosa. 
Sua cabeça girava em meio a pensamentos ruins:
- Eu não sou boa o suficiente pra ninguém! – ela sussurrou entre um soluço – Eu nunca fui boa o suficiente pra ninguém. 
E foi dizendo isso com a voz rouca e falhada que atirou o tronco por cima dos joelhos e pegou o estilete como quem pedia socorro. Passou a lamina lentamente e com força pelo pulso e analisou a primeira gota de sangue que começara a escorrer. Ela queria a morte, mas não se achava merecedora de uma morte tranquila, achava que precisava sentir a dor, aquela prazerosa dor com gosto de vingança. Repetiu o ato por outras partes do corpo, até passar a lamina pelo pescoço, traçando um corte fino e profundo em sua pele extremamente branca. Seu corpo imediatamente foi ao chão. A lâmina foi lançada para longe e o sangue aos poucos dominou suas vestes, numa calmaria sufocante. Ela estava morta! 
Para alguns, uma morte sem motivos, ou com motivos estúpidos demais, para outros por depressão, para ela... Para encontrar a paz.

- Permanecer forte. 

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